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ROTEIRO - CAMINHO DO SOL "Temos o orgulho de ser o primeiro grupo de ciclistas a percorrer o Caminho do Sol, mostrando nosso espírito de companheirismo, amizade e acima de tudo paixão pela bicicleta (Renato Frosch, Flávio Mitsuishi e Luis Guilherme Sandoval-01/09/2002)"
Cachorros, cana-de-açúcar, desconhecimento e amizade. Com estes quatro pontos
resumimos nossa passagem de bike, de forma pioneira pelo Caminho do Sol, de
Santana de Parnaíba até a imagem de Santiago, localizada no mini-horto em Águás
de São Pedro, totalizando 240km pelo interior paulista.
O
Caminho do Sol (veja o mapa) é uma iniciativa de peregrinos e de
13 prefeituras em produzir algo semelhante ao Caminho de Santiago de Compostela
na Espanha (tradicionalmente percorrido por peregrinos a pé, de bike ou a
cavalo, qual percorremos em setembro do ano passado). Por ser uma recente
proposta, a organização, dá apoio apenas aos peregrinos a pé mediante a
inscrição na Secretaria de Cultura de Santana de Parnaíba, assim auxilia:
determinando locais programados para hospedagem, alimentação, etc. Já, no
nosso caso, para ciclistas apoio ZERO. Aliás, sentimos uma enorme dificuldade
no simples fornecimento de um carimbo numa folha de sulfite.
Pedíamos como prova de nossa passagem, independente de regras, frescuras ou
caprichos, que gentilmente os estabelecimentos (hotéis,
pousadas, armazéns, restaurantes) formalizassem nossa estada de alguma forma,
como acontece tradicionalmente com a credencial del peregrino na rota européia
e o Caminho do Sol busca implantar com o Passaporte. Tivemos desde tratamentos
cordias, como o do restaurante Packer (Saltinho) que mesmo sem carimbo fez questão
de assinar o nosso sujo e molhado troféu e hospitalidade no armazém da Fazenda
Limoeiro, até a inflexibilidade da Fazenda
Vesúvio (Salto) que mostrou total discrédulo na nossa passagem (aliás não
custa nada mandarmos um recado para D. Adriana que mesmo sem o carimbo dela,
chegamos muito bem até o final).
Concluímos
o Caminho em três dias (29-30-31 de agosto de 2002), com o
seguinte roteiro: 1o
dia: Santana de Parnaíba - Pirapora do Bom Jesus
- Cabreúva - Itu - Salto 2o
dia: Salto - Indaiatuba - Elias Fausto - Capivari - Mombuca 3o dia: Mombuca - Saltinho - Piracicaba - Águas de São Pedro
Vale destacar que este caminho não passa pela zona urbana de todas as cidades.
Assim o planejamento de alimentação e hospedagem ficou em função das cidades
de Pirapora, Cabreúva, Salto, Elias Fausto, Capivari, Mombuca e Águas de São
Pedro.
O 1o dia caracteriza-se com o trecho da saída até Cabreúva em asfalto sendo
boa parte sem acostamento, grande trecho na Estrada dos Romeiros. Depois, de Cabreúva e de uma forte subida de asfalto
o Caminho segue até o final praticamente todo por estradas de terra com alguns
pequenos trechos de asfalto principalmente nos acessos as cidades. Neste
percurso inicial, as estradas margeiam o Rio Tietê ainda poluído com os resíduos
da cidade de São Paulo. Em Salto, não tivemos grandes dificuldades na
hospedagem e posamos num hotel da cidade.
O 2o dia ficou marcado pelas inúmeras plantações de cana e a sinalização
precisa, mostrando o empenho e cuidado que cada prefeitura teve na orientação
ao peregrino (exceto na zona urbana de algumas cidades, que nos perdemos certas
vezes), em demarcar corretamente as indicações no Caminho. Depois da
passagem por Capivari chegamos a Mombuca, sem opção de hospedagem (pensão,
pousada, etc), contando com a ajuda dos policiais militares de plantão
conseguimos 3 vagas na "cadeia" (assim batizado
carinhosamente, um quartinho ao fundo do posto policial).
O 3o dia foi o mais puxado devido a chuva, que pegou pesado, principalmente a
tarde e o maior percurso que encaramos, totalizando 85km pelas estradas de terra
com nenhuma passagem por centros urbanos.
As maiores
dificuldades que tivemos, ficam registradas, devido ao desconhecimento total do
Caminho do Sol pelos próprios moradores do
Como as pessoas, os cachorros, definitivamente, não estão familiarizados com o
Caminho. Em média a cada 10km éramos obrigados a um sprint forçado para
escapar do apetite da cachorrada (por que sempre os pequenos são mais
barulhentos e incentivam os maiores? Um deles atingiu a incrível velocidade de
40km/h!)
Para quem pensa em viajar num período curto, ou mesmo umtreino específico para
viagens maiores, este percurso é uma ótima opção, sabendo-se das
dificuldades principalmente quanto a acomodações. Torcemos ba
Mais do que um percurso, a maior lição que o Caminho de Santiago pode passar
para este percurso é a generosidade e solidariedade entre as pessoas,
independente de regras, inscrições em secretarias, interesses comerciais, etc,
etc.
Por fim, que não é novidade para ninguém, culturalmente o brasileiro não está acostumado com o cicloturismo, ficando aqui nosso relato que muito a de melhorar.
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ATUALIZADO 11/04/04 |